Relato de Desmame – Luísa e Sophie

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Enfim, parece que o desmame aconteceu. Já nem lembro exatamente quais foram as últimas mamadas que eu poderia considerar ter tomado realmente uma porção de leite que a sustentasse, como quando comemos uma fruta nos intervalos das refeições.

Gostaria que o desmame acontecesse naturalmente, que ela deixasse de querer, de pedir o mamá, que esquecesse quando estivesse interessada em aprender coisas novas. Por vários momentos pensei que isto nunca fosse acontecer, ela amava mamar, e eu me sentia orgulhosa em dizer que a amamentava ainda, mesmo sentindo a crítica das pessoas, algumas mais sutis, outras nem um pouco, falavam no impulso mesmo, a sua contradição.

Li vários livros, me informei bastante desde a gravidez e acredito que isto seja muito natural, a amamentação prolongada, como é chamada hoje. A nossa cultura que está errada, com mães se afastando cada vez mais cedo de seus filhotes, que vem com a independência da mulher, desde a invenção dos anticoncepcionais, até surgirem mamadeiras, fraldas descartáveis, leites artificiais que dizem estar cada vez mais semelhantes ao leite materno!

Entre muitas outras coisas, acredito que as mulheres estão esquecendo do seu lado mais feminino, parecem estar desconectadas de seus sentimentos mais íntimos. Somos mulheres, nossa natureza é feita para gestar, parir, amamentar e cuidar seus filhos até poderem viver sozinhos. A grande diferença entre nós e o resto dos animais é o cérebro que demora mais tempo para desenvolver e se compararmos a idade de filhotes de animais com humanos veremos como amamentamos pouco nossos filhotes. Principalmente a cultura brasileira, na Coréia, por exemplo, filhotes humanos mamam até uns 7 anos.

Aos poucos fui mostrando a ela, como já estava uma menina grande e não era mais um bebê. Mostrava os bebês mamando em suas mães. Expliquei que bebês pequenos só mamam o leite de suas mães, mas que agora já sabia comer bem como uma menina. Mesmo com todas as explicações ela pedia mamá e dizia ser um bebê, até chorava imitando um bebê. E então comecei a negociar: – Tá bom, só um golinho. Ela tomava o golinho feliz e depois se distraía. Este golinho durou uns 4 meses, por fim era somente pela manhã, ao acordar. Em algum momento, durante uns 3 dias ela não pediu, fiquei pensando, um pouco apreensiva, que ela poderia pedir a qualquer momento. Voltou a pedir novamente, esqueceu algumas vezes, desconversei outras e acho que agora vai. Daqui a pouco esquecemos, as duas.

Verifico no banho, ainda tenho, é um líquido bem grosso, branco e brilhoso (nutrientes!), não é só carinho e apego de mãe.

Hora de me despedir de mais uma fase, que foi uma grande jornada, e em especial agradeço ao meu esposo por ter sido testemunha de todas as fases, inseguranças dificuldades, cansaços, alegrias e satisfação durante a amamentação de nossa filha. Grata também por todas as pessoas que me apoiaram!

Publicado em 10.07.2013

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