Relato de Amamentação Elisângela

amamentação prolong1
“Faz tempo que quero registrar minha experiência de amamentação, e nesse tempo de reflexão e reavaliação vale voltar um pouco e reviver essa história que ainda vivemos aqui em casa, uma história escrita e vivida a três: O Filhote, que sempre mamou com gosto e vontade, a Mãezona aqui, que entre tropeços e acertos vem conseguindo, ao Paizão que amamenta lado a lado, desde o início!
Amamentar, ato tão bonito, simples e comum que não tomou maiores preocupações de minha parte durante a gravidez.
Li, me informei, aprendi ainda na gravidez que chupetas e mamadeiras além de desnecessários podem atrapalhar a amamentação e assim julgava que tudo estaria sob controle, concentrando minhas preocupações no parto e no retorno ao trabalho após a licença maternidade. Tinha grande preocupação em como manter a amamentação exclusiva por 6 meses tendo que voltar ao trabalho no quinto mês, mal sabia quanta água rolaria até lá!

Tive meu desejado parto normal, mas não natural como o planejado.
A dor das contrações me surpreendeu e ao final de todo o trabalho de parto natural bati pé pela analgesia, e ela foi um dos fatores (acredito que o principal) que atrapalhou o início da amamentação.

Após o parto pedi para colocarem filhote no meu peito, e assim foi feito, mas eu deitada, e o bichinho cansadinho, talvez sonolento devido a analgesia, não mamou, mas cheirou o peito, lambeu e ficou um instantinho ali, logo indo para o berçário de onde veio algumas horas depois – perdi a noção do tempo, pois dormi.

No quarto comigo, foi direto para o peito, lá ficava pendurado.
Mas eu cansada fui descuidando da pega, muito peito do jeito que ele pegasse.

Já em casa, na primeira noite filhote chorou muito, talvez a pega incorreta não permitindo que ele mamasse o suficiente. Meu seio começou a rachar e doer, eu amamentava mais com o peito esquerdo pois o bico do direito estava muito invertido, dificultando ainda mais a pega. E em meio a isso tudo uma dor de cabeça insuportável.

No dia seguinte fui ao posto de saúde, lá passei muito mal, e fui diagnosticada com uma enxaqueca devido a reação a analgesia, para meu filhote receita de Nan, que marido e eu deixamos claro que não queríamos, mas pediatra passou para “caso de necessidade”. Mas nem mamadeira tinha em casa e não compramos o complemento.

Ao longo do dia meus seios pioraram e a enxaqueca também, foi somente na madrugada, ao passar mal novamente e vomitar de dor com o bebê no peito que aos prontos me entreguei e pedi para marido trazer o complemento – isso que era dor, dor de parto contrações são uma doce lembrança, essa dor de cabeça que me impediu de amamentar naquele instante que dói ainda quando lembro.

Marido trouxe os bendidos(??) complemento e mamadeira.
Mas nem ele nem eu tínhamos coragem de dar mamadeira ao filhote. Minha sogra alimentou o pequeno na sala enquanto marido e eu chorávamos muito no quarto.

Nas semanas seguintes, enquanto eu tratava os seios que estavam muito machucados, dávamos ml de complemento e em seguida era bebê no peito. Andava pela casa sempre sem blusa com filhote colado no colo e peito, complementando sem desgrudar do peito – mãe e sogra segurando a barra da casa e outras barras, momento difícil. Marido praticamente amamentava ao meu lado.

Lá pelo segundo mês o complemento era apenas uma muleta psicológica, pois na verdade era o peito que agora mantinha o filhote. O esperto – mais esperto que a mamãe aqui – sempre preferiu o peito e recusou a chupeta que em momentos de desespero oferecemos (hoje agradeço a sabedoria do filhote!)

Até que um dia um pediatra nos sacudiu: “Tirem o Nan dessa criança! Um bebezão desse tamanho, o Nan nem faz cócegas, é o leito do peito que está mantendo esse bebê!”
Música para meus – nossos – ouvidos! Complemento aposentado!

Do segundo mês em diante vivenciamos a amamentação exclusiva, sempre em livre demanda!

Ao final do quarto mês cheguei a adaptar o pequeno a creche, ordenhava o leite que oferecia em copinho de treinamento. O Filhote até se adaptou, nunca reclamou de nada para mim, mas eu não me adaptei e a volta ao trabalho durou apenas duas semanas.

Foi quando dei o grito de liberdade para peitos livre de ordenha, bicos, vidros, e vivenciamos cada segundo de grude e peito!

Por volta dos 7 meses do filhote, quando ele passou a comer mais comidinhas e deu uma reduzida no peito ainda enfrentei um engurgitamento, bem dolorido, mas contornamos com banhos, compressa e massagens. Passou rápido.

Um mês após o filhote completar dois anos voltei a trabalhar.
Hoje meu pequeno comilão de 2 anos e 9 meses ainda mama no peito, alguns dias bem pouquinho, outros como um bebezão!
Alguns dias canso muito dessa vida leiteira outros dias sinto saudade e gostinho de despedida.

E assim sigo nessa história que ainda não chegou ao fim, agora na torcida por um desfecho mais natural possível!

Nos momentos difíceis do início me imaginava com um bebezão grande no peito como muito vi meu irmão e primos, essa visão do futuro me dava coragem, essa visão se realizou! Hoje eu amamento um bebezão! Um Gurizão!”

 

Publicado em 13.02.2013

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