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Alguma dúvida sobre o quanto é benéfico praticar yoga na gestação? Na foto acima, a instrutora Shana Gomes praticando 1 mês antes de parir naturalmente sua filha Anahí.

Praticas regulares todas as terças e quintas-feiras no Poneshi Centro de Yoga e Meditação, as 9h.
Aula experimental gratuita. Informações: shanafgomes@gmail.com ou 51-92467726

10 BENFÍCIOS DA PRÁTICA DE YOGA NA GESTAÇÃO
Honre a vida que está em seu corpo hoje! Pratique a compaixão amorosa por si mesma e por seu bebê. Yoga na gestação é uma das melhores práticas que você pode cultivar para desfrutar deste momento de intensas mudanças corporais e internas.
É importante que você encontre a prática ideal para o seu perfil, no caso de gestantes, uma instrutora capacitada para entender as demandas desta condição especial.
Experimente e ouça o que seu corpo tem a dizer, em pouco tempo você sentirá os benefícios.
Por falar nisso, observe abaixo 10 benefícios da prática de Yoga na gestação:

1. Desenvolve resistência e força
A medida que o bebê cresce dentro do seu corpo, é necessário mais energia e força para ser capaz de suportar o peso. Com a prática você fortalece os quadris, costas, braços e ombros.

2. Equilíbrio
Nosso equilíbrio corporal é desafiado a medida que o bebê cresce. Somos desafiadas também emocionalmente devido ao aumento de progesterona e estrogênio. Com a concentração na respiração em cada pose do yoga somos capazes de ajustar o nosso equilíbrio, física e emocionalmente.

3. Alivia a tensão na lombar, quadris, tórax, dorsal, pescoço e ombros.
Com aumento do tamanho do bebê, maior pressão é exercida sobre estes grupos musculares específicos. Há uma tedência a aumentar a curva da lombar devido ao aumento do tamanho das nossas barrigas, os quadris são afetados devido à pressão adicional de peso do bebê na barriga. Com o aumento dos seios, há mais tensão na parte superior das costas e no peito, além dos ombros e do pescoço.

4. Acalma o sistema nervoso
Através da respiração profunda, ativamos o sistema nervoso parassimpático, que é responsável pelo relaxamento. Quando está nesse modo, a digestão funciona melhor, dormimos melhor e também aumentamos o potencial imunológico.

5. Preparação para o trabalho de parto
Relaxando no desconforto: trabalhar com consciência em cada respiração durante as posturas pode ser por vezes desafiador. Praticar isso durante as aulas de yoga é inspirador para o trabalho de parto, pois não será uma novidade manter-se focada e relaxada durante as fortes sensações das contrações. Enquanto você inspira, você reconhece onde está sua tensão a medida que solta o ar, vai liberando também os desconfortos.

6. Conexão com o bebê
O yoga na gestação nos ajuda a acalmar o ritmo interno e entrar em contato com o que está acontecendo com nossos corpos. Através do controle da respiração exercido em cada asana, nos tornamos mais conscientes do que estamos vivendo internamente e criamos uma atmosfera acolhedora e segura para o bebê

7. Melhora a circulação
Com o alongamento das juntas e músculos durante a prática melhoramos a circulação do sangue em nossos corpos, diminuindo o inchaço.

8. Trabalho respiratório
Uma maravilhosa ferramenta para o trabalho de parto. Respiração calma e consciente mantém ativo o sistema parassimpático e regula a pressão sanguínea, mantendo bem oxigenado o bebê.

9. Trocas entre gestantes
Desfrute da prática ao lado de quem está passando pelo mesmo momento que você, troque informações e dicas com quem entende o que você está sentindo.

10. Tempo de nutrir-se
A prática de yoga nos permite dar um tempo na correria do cotidiano. As aulas criam um espaço para manifestar sua inteção de auto-cuidado bem como do seu bebê.
Tradução livre do artigo http://www.fitpregnancy.com/…/pr…/10-benefits-prenatal-yoga…

https://partoalegre.wordpress.com/2015/10/14/2716/

Relato de parto humanizado hospitalar da Simone / nascimento Maitê

“A Decisão”
a Mulher que decidiu
Mani festar a vida nova em sua trilha
navio terra Nave mãe
protetora cápsula casulo
nutrir dar forma doar o sangue
e tantomais
até a filha chegar ao cais
e dali pra diante dar a mão
e tantomais
até o dia de voar
como é de sua natureza
feito 1sonho mágico
carregado de verdade e luz nos poros
o mérito sem fim de doar pro mundo
alguém sem fim
sem esperança alguma
de retorno outro que o amor em si
amplificado ao infinito
(por Luís Nenung)

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Aos 31 anos gestei e esperei por um parto normal (PN). Meu menino, que hoje tem 9 anos, veio ao mundo por uma cesárea iatrogênica (quando o desfecho não desejável-no caso o parto cirúrgico-foi causado pela medicina e seus meios em si). Foi uma consequência da analgesia, que acabei pedindo quando estava com 8 cm de dilatação. Meu erro (e não culpa, hoje vejo assim), foi esperar o PN. PN não se espera. Se busca. Se conquista. Se batalha. É assim e pronto. Não adianta bater pé. Como não havia cultura de cesárea na família, pensei que não precisasse fazer este “dever de casa”. Que as coisas se auto-resolveriam. Saúde eu tinha de sobra. Mas era “idosa” aos 30 anos. E meu bebê tinha peso estimado de 4kg na semana 39 de gestação (praticamente uma baleia rsrs). E há 10 anos atrás não sabíamos nada de parto ativo, humanizado, doulas e métodos não farmacológicos para modulação da dor. E eu, apesar de ser médica, subestimei os riscos de ter efeitos colaterais de uma analgesia de parto. Meu trabalho de parto (TP) ia bem até os 6 cm, em casa. Ia bem até quando entrei no hospital, sentei em uma cadeira de rodas e entreguei o braço para um acesso venoso (pra quê???-até hoje me pergunto). Não bastasse isso, deixei que me levassem para o bloco cirúrgico(!), pois lá seria a minha “sala de parto”! Uma mesa cirúrgica estreita e fria de inox e a posição de litotomia seriam o palco do PN que não tive. Claro que não. Urrei por anestesia. Quem não urraria neste contexto? Urro de medo, dor, desconforto, estranheza. Urro contra a frieza e pressa deles. Eu estava há 7 boas horas em um TP bem normalzinho, mas a equipe estava era de bituca no MAP (monitor contínuo de bem-estar fetal x contrações/dispensável em um quadro de normalidade) que amarraram na minha barriga. De olhos no MAP, dando-me ordem de imobilidade para não causar interferência nas medições. Oi??? Quadro posto, como não clamar por anestesia???? Fiz. E imediatamente perdi o tônus da bomba uterina. Atonia total. E então a cesárea intra-parto por conta da discinesia uterina causada pela analgesia de parto. E com a cesárea uma frustração, um blues puerperal mais longo, lágrimas nas fotos, auto-piedade, auto-desvalorização e raiva. Superei? SIM, dia 21 de setembro de 2015, quando nasceu meu segundo filho! Aí embaixo vai o relato sobre minha busca e achado:

Após estes 9 anos, em outro Estado, em outra união, engravidei. Agora poderia ser diferente. Teria a chance de passar a limpo coisas internas mal resolvidas por conta de meu parto cirúrgico de anos atrás e que não melhoraram com o tempo, pois foi o próprio tempo que me trouxe mais informação e certeza de que o fracasso que vivenciei não foi meu. Não foi um fracasso pessoal. Foi do sistema! As opções que tive foram retrógradas, erradas. Eram má pratica médica há décadas!!!! Hoje eu tenho essa consciência, apesar do contexto brasileiro ser idêntico ao de 10 anos atrás. Mas já estava bem melhor para mim, eu já não estava sozinha. Já ecoavam os clamores em prol da humanização do nascimento e da medicina baseada em evidências na obstetrícia!!!

Mãos à obra então! Busquei a doula. Troquei minha GO às 28 semanas de gestação, quando ela “rodou” no teste das minhas perguntas ao dizer que não fazia parto sem anestesia. Que isso era coisa de índia (opa, prazer, índia Simone, da tribo só-tomo-remédio-se-eu-quiser-e-precisar-meu-corpo-minhas-regras). Disse que provavelmente cortaria meu períneo porque assim seria mais fácil suturar as bordas do que se deixasse lacerar de forma natural (mesmo que fosse uma laceração de graus 1 ou 2(!), e mesmo sendo isso formalmente contra-indicado às luzes da boa ciência (as costureiras de roupa sabem disso melhor que a gente, disse ela). Ah, também o hospital onde ela atende (“top one” em Porto Alegre, Moinhos de Vento, “obedece as regras da John Hopkins” e por isso não permite a entrada de doulas: mas fotógrafos de renome são bem vindos!!!). Dei no pé.

Fiz yoga. Fiz fisioterapia pélvica. Segui treino de musculação adaptada até às 34 semanas. Li. Li. Li. Fiz curso de humanização para casal. Doulei muito com minha doula. Massagem. Drenagem. Trabalho e direção até ultimo dia. E então aconteceu. Tudo o que planejei. Sem desvios. Colhi além. Peguei pra mim o que era meu e tava me esperando. Como mágica, parecendo ilusão.

Domingo à tarde, 20 de setembro, fui para a academia do prédio fazer um treininho com o marido. Tentei descansar às 17e30 mas levantei da cama às 18e30 me sentindo estranha. Cocô talvez? Coliquinha? Voltei a deitar com bolsa de água morna. Às 19e30 falei por whats com a doula Zezé que iria contar por uma hora estas coliquinhas/contrações. Não me deu muito crédito. Nem eu me dei. Afinal, não tive nenhum sinal antes! Fiz o pacote banho-cocô-contar: 18 contrações em uma hora… De 3 em 3 min por 40s. Zezé me pediu para tomar banho de novo, relaxar e curtir pois poderia ser TP falso ou pródromo mesmo…hum… Pacote de novo: banho-diarreia-vômito (sentada no vaso agarrada no balde de vômito…curtir? rsrsr). A partir dai peço que marido assuma o celular.

O “dream team” da humanização gaúcha estava em dois partos no hospital que eu tinha escolhido para dar à luz. Eu deveria ir para lá fazer avaliação e talvez voltasse para casa, pois meu desenrolar era meio atípico. Mal sabíamos que eu não só ficaria lá como também seria o primeiro nascimento dos 3 partos em andamento (3 comigo). Às 22e30 cheguei para avaliação. Quatro horas desde que as coliquinhas começaram e duas desde que apertaram em intensidade. Ah, antes de sair de casa perdi água clara com vérnix e parte do tampão na privada. Toque: bebe baixinho, colo finissimo 100% apagado e dois cm de dilatação. Mas teria jogo. E seria rápido. Foi o que disse Ricardo Herbert Jones.

E cumpriu-se a profecia do bruxo. Fiquei das 23h às 1h no chuveiro com a fada Zezé. Ela mais molhada que eu às vezes. Massagem. Óleo. Mantras da Kwan Yin minha deusa chinesa no celular da doula. Eu em forma de cavalo. De pé. Postura de mesa apoiando as mãos numa banqueta baixa. Joelhos esticados. Bola suíça entre as canelas. Não deu para sentar: tinha espinho (rsrsrs)! O espaço de tempo mais calmo era curto demais para que pudesse sentar. Rebolar também não deu. No máximo balancinho para frente e trás. E a menina dentro de mim estalando para sair. Ouvi isso. Uma “audição” interna. Uns “claques” por dentro.

Visualizava em minha mente água a escorrer pelo ralo em redemoinho no sentido horário e na máxima velocidade. A pia era minha pelve. Lá na rua, tempestade. Eu e Zezé no banheiro fumacento com as luzes apagadas debaixo do chuveiro. Entre um e outro abrir e fechar de olhos, neste meu “nirvana” nervoso, espiava pela janela de vidro os relâmpagos. Descargas elétricas varrendo o céu lá fora e dentro de mim uma enxurrada de força animal lavando minha alma com uma cáustica água benta. Não ardia. Era um amor violento lustrando meus espaços, lubrificando cada fibra muscular que eu tinha, acenando com bandeiras de chegada, bradando aos ventos que EU PODIA! QUE EU SEMPRE PUDE! Era a natureza louca tirando onda com seus poderes, regozijando-se ao extrair minha filha de dentro de mim. Porque era hora de respirar. Dentre tantas visualizações que tive, uma era que minhas extremidades eram patas de elefante que avançavam sobre folhas secas que ficavam para trás, sem vida. Folhas de medo, folhas sem a filha fora do útero, folhas de pedir anestesia, folhas de achar que não vai dar conta. Meus passos de elefante ficavam cada vez mais rápidos a cada chacoalhada que eu levava.

Jones monitorou com sonar portátil de forma intermitente o bem-estar da minha filha. Uma beleza. Quando achei que ia ser desossada pelo cóccix lembrei que isso poderia ser a “transição”- olha a intelectualização perigosa ai gente! Mas calei. E Jones me chamou para toque do lado de fora do chuveiro. O obstetra e a doula se falam telepaticamente. Ela falou em puxos. Eu pedi cocô. Ele disse “cocô nada, o nenê ta nascendo já já, escolhe tua posição que agora depende só de ti a hora da saída”. Que/???. De dois para dez cm em duas horas e meia? Exato. Então abracei a partolândia. Ensaiei um “de quatro” sobre lençóis no chão. Um cócoras agarrada numa barra da parede. Um Sim’s na cama. E o bruxo me sugere acocar na cama segurando uma barra circular que ele adapta ali. E a fada me põe acocorada ali. Me pede que segure a barra esticando braços e fletindo o pescoço na hora do puxo fisiológico. Não coordeno. O reflexo expulsivo vem junto com uma incontrolável vontade de estender costas e pescoço pra trás, como se tivesse andando de balanço.

Então marido e fada entram em cena para parir junto comigo, efetivamente. Zezé põe o marido a me sustentar de um lado, garantindo meu tronco perto da barra. E ela me ampara do outro lado, garantindo a flexão do pescoço. E assim foi. Acocorada com apoio bilateral físico e emocional, sob a regência do maestro Jones, tive um expulsivo de três ou quatro forças, com um círculo de fogo ameno e curto. Maitê veio serena. Com 3615g e 52cm. Tive uma laceração de pele lateral grau zero-um que teve 1 ponto de sutura opcional.

Tudo que disser além daqui será pequeno e pouco para traduzir a grandiosidade dos momentos que vivi e que já são eternos para nós. Teria que viver mil vezes tudo de novo para talvez conseguir colocar na linguagem das palavras o que ocorreu conosco. A vida, os seres humanos iluminados que me rodeiam, os deuses, a natureza, tudo foi muito a favor desta vivência “sobre-humana” que tive.

Enfim, no século das aberrações obstétricas, das taxas imorais de cesáreas e da tecnocracia de um sistema que quer seguir vendado à informação de relevância científica mundial, curei minhas feridas íntimas aquém do divã, curei na raça, carimbando minha sexualidade, meu gênero feminino, expondo o poder que sempre tive. E que todas têm. Mas a porta abre só pelo lado de dentro. Só a gente pode dar o passo inicial para isso hoje em dia, pois fizeram-nos desaprender a “andar de bicicleta”. Fizeram-nos crer que a maternidade como um todo é complemento, fru-fru, e não ancestralidade, não força vital.

 

Salve Doula Zezé.

Salve Dra. Ana Cláudia Esteves Codesso.

Salve Dr. Ricardo Herbert Jones.

Salve Enf. Obst. Zeza Jones.

Salve Ed. Fís. Andréia Aires.

Salve Fisioterapeuta Pélvica Ana Cristina Gehring.

Salve Inst. de Yoga Shana Gomes, por tudo que foram, são e serão em minha vida.

Simone Terracciano, Porto Alegre, 24 de setembro de 2015.

 

Encontro amanhã!

Gente querida!

Amanhã tem mais um encontro do Grupo Parto Alegre, será um lindo encontro. Vamos exibir gratuitamente o filme Microbirh. Um documentário que nos faz pensar sobre a realidade do nascimento humano nos dias atuais e que rumos queremos tomar.

Venham, será uma alegria contar com sua presença.

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Congresso Nascer Melhor

Olá pessoal,

temos uma novidade maravilhosa para contar a vocês!

Um evento online e gratuito com alguns dos maiores nomes da humanização do nascimento do Brasil e do mundo. Uma oportunidade incrível para ouvir os melhores profissionais da área, incluindo nossa querida Naolí Vinaver, Ricardo Jones e Alexandre Coimbra Amaral (que nós da Parto Alegre já organizamos cursos por aqui). Além deles, você poderá assistir gratuitamente e no conforto de sua casa, Laura Gutman (Argentina). Debra Pascali-Bonaro (Estados Unidos), Evânia Reichert, Laura Uplinger, Mayra Calvette, Ana Paula Caldas, Fadynha, Eleonora de Moraes, Heloisa Lessa e muitos outros.

Realmente im-per-dí-vel!

Palestras irão acontecer ONLINE de 19 a 25 de março. Inscreva-se no link abaixo!

Clique AQUI e faça a sua inscrição!

Estamos felizes por ser um Apoiador desta iniciativa.

Desejamos um ótimo congresso a todos!

post grupo + nos_Nascer Melhor_Parto Alegre

Parto Natural mesmo após cesariana

Queridas e queridos leitores,

Amanda Martins, doula da Equipe Parto Alegre, entrevistou por e-mail Helene Vadeboncoeur, autora do livro Parto natural após cesárea, editado no Brasil pela M. Books. A tradução dessa entrevista foi feita por Milton Assumpção. Colocamos na íntegra as respostas que ela nos deu. Sua história de partos é marcada por desafios e dores que a fizeram ir atrás de mais informações e lutar pelo direito das mulheres parirem com liberdade de escolha, dignidade e respeito. Este livro nasceu alguns anos após de ter dado à luz a sua filha, ela sonhava que este fosse natural, no entanto, o parto que tinha tudo para ser natural virou um parto instrumentalizado e cheio de intervenções. E mais uma vez ela se sentiu roubada da sua experiência de parir naturalmente e poder sentir tudo o que tinha direito no momento mais transformador na vida de uma mulher, de uma família.

Nesse sentido, seu livro nasce desse desejo de que outras mulheres possam viver esta experiência de uma forma mais humana e respeitosa e assim, encontrem informações de qualidade, com dados que mostrem as vantagens e desvantagens reais do PNAC e de uma primeira e segunda cesárea, algo tão pouco discutido. O livro conta com muita pesquisa e relatos de parto de mulheres que tiveram seu PNAC. Na edição brasileira pode-se encontrar os efeitos positivos do livro no relato de mulheres que tiveram a oportunidade de lê-lo em outras partes do mundo e assim ir em busca de um parto natural mesmo após cesárea.

Leia agora a pequena entrevista que fizemos:

Parto Alegre – Quais são as razões para o aumento de cesarianas no Brasil e no mundo?
fotografiaHelene Vadeboncoeur – As razões são complexas e tem muitos fatores. As mais importantes, na minha opinião (e na opinião de muitos agentes-chave de saúde pública, cuidadores, organizações e mulheres questionando as taxas de cesáreas, que só crescem): globalmente, a técnica da cesárea evoluiu e se tornou mais segura. Culturalmente, em nosso mundo em todos as áreas, a tecnologia é encarada apenas como progresso e raramente é questionada. Nós temos também uma visão cartesiana de mundo, em que a natureza precisa ser “conquistada” e “controlada” (e dar à luz é um fenômeno natural). Além disso, fazer uma cesariana é muito mais conveniente para o médico e para a organização do hospital do que ficar à espera do trabalho de parto começar. Por fim, existe uma grande ignorância e/ou negação dos riscos de uma cesariana. As razões para aumento não tem apenas um, mas muitos fatores, como também um monte de motivos que não são médicos (eles, geralmente, não têm muito a dizer sobre as razões médicas ou sobre o estado de saúde da mulher, de fato, para fazer uma cesárea). Não posso falar sobre o Brasil, porque precisaria conversar mais com os principais agentes brasileiros para aprofundar minha compreensão da situação. Mas posso dizer que as taxas de cesárea são muito mais elevadas em hospitais ou clínicas privadas. Este é um fator importante para ser observado, juntamente com o ganho financeiro associado ao fazer uma cesariana e a imputabilidade do médico.

Parto Alegre –  Quais as chances reais de uma mulher que teve uma cesariana conseguir ter um parto natural no Brasil? O que ela tem de fazer?

Helene Vadeboncoeur – Eu não tenho visto muitos dados sobre a proporção de mulheres que têm um parto natural após cesárea no Brasil, então não posso responder à primeira pergunta. Mas para uma mulher ter um parto natural (o primeiro ou após uma cesariana anterior), na minha opinião, ela tem de:
• estar determinada;
• estar preparada: de preferência começar a se preparar antes de estar grávida, pra ter mais tempo pra pesquisar, pra rever seu arquivo obstétrico e também pra estar em uma situação menos vulnerável do que durante a gravidez;
• saber mais sobre a situação das cesarianas na sua região (taxas de cesárea nos hospitais, a gama de médicos disponíveis, quem apoia o PNAC – sejam médicos, enfermeiras-parteiras, doulas etc.);
• procurar um cuidador de apoio (médico, enfermeira-parteira, doula);
• ter em mente quais são os seus direitos (ver a carta “Cuidados maternos respeitosos: os direitos universais das mulheres grávidas”, da White Ribbon Alliance for Safe Motherhood – disponível em português no meu livro);
• procurar uma segunda opinião médica caso a opção do PNAC seja negada ou se existe um suporte legal para ajudá-la a obter o direito de ter um.

Parto Alegre – O que você acha que acontecerá nos anos que virão? Uma redução no número de cesáreas, um aumento?

Helene Vadeboncoeur – A tendência global é o aumento das taxas de cesáreas. No entanto, mais e mais organizações (incluindo a OMS, que acaba de publicar – em setembro de 2014 – um estudo que confirma os malefícios de taxas de cesáreas acima de 10% ou 15%); os cuidadores, as mulheres também estão questionando essa tendência. Além disso, os cientistas têm, mais recentemente – aconselho ver o documentário Microbirth [ver também filme brasileiro o Renascimento do parto] –, sublinhado a urgência de questionarmos sobre os possíveis graves impactos de saúde das pessoas que nasceram por cesariana – e, finalmente, sobre a saúde pública. Além disso, os resultados de estudos sobre cesariana confirmam que existem maneiras de diminuir as taxas, se houver vontade política para fazer isso – ver estudos de autoria ou co-autoria de Nils Chaillet, publicados entre 2012 e 2014, na PubMed e os resultados do estudo QUARISMA sobre a redução da incidência de cesariana em Quebec, no Canadá. Mas o principal são as mulheres, elas são as principais agentes que podem pedir pelos partos naturais ou PNACs.

Parto Alegre – Qual a recomendação mais importante que você daria a uma mulher brasileira que quer um parto natural?

Helene Vadeboncoeur –  Além do que eu já disse, posso afimar que é difícil elencar “o mais importante”. Aos meus olhos, há várias recomendações importantes. É um pouco como escalar uma montanha: você precisa se preparar antes do tempo – treinar para caminhadas e ter o equipamento apropriado, precisa que as pessoas saibam onde você está indo, levar líquidos e alimentos para se sustentar etc. Em geral, eu diria: 1) encontre um bom hospital de apoio (com baixa taxa de cesárea, bons resultados, conhecido por deixar as mulheres terem PNACs); 2) um médico de apoio, enfermeira obstétrica ou obstetriz; e 3) ter um suporte de uma doula durante o trabalho de parto. Só um desses itens é bom, mas quanto maior o apoio que você tiver, melhor!

Cinco razões para ter uma doula

Diante de algumas informações difusas, de muitas pessoas ainda não saberem o que é uma doula, resolvemos traduzir esse texto de Emily Dickey para você. Espero que esclareça suas dúvidas e a faça entender melhor o que é o acompanhamento de uma doula. Boa semana!

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Tradução livre do site: http://babydickey.com/2012/06/19/top-5-reasons-for-hiring-a-doula-at-a-homebirth/

Por Emily Dickey

Algumas mulheres não sabem o que é uma doula (não se preocupe, meu computador também está tentando auto-corrigir a palavra como se ela não existisse). Outras sabem, mas não querem uma para o seu parto… e algumas pensam que doulas só são benéficas em um ambiente hospitalar.
Nós não contratamos uma doula para o nascimento do nosso primeiro filho. Estávamos em um hospital quando soubemos o que era uma doula, mas não achamos que precisaríamos de uma. Eu sabia o que queria um parto natural, que eu tinha o meu marido ao meu lado. Quero dizer, nós lemos livros, nos informamos, lemos sobre o Método Bradley. Bem, nós estávamos enganados, a equipe aparentemente nunca ouviu falar de “consentimento informado”, e acabei com uma cesariana. Não, eu não estou dizendo que simplesmente ter uma doula não teria impedido a cesárea, mas … ela teria oferecido mais apoio e mais informações e … você nunca sabe.
Na segunda vez, tivemos um parto domiciliar e até a minha parteira sugeriu que não precisava contratar uma doula, quando eu mencionei querendo uma. Sua opinião (como de muitos outros) é que as doulas são necessários em hospitais onde você tem a possibilidade de sofrer intervenções, medicamentos, profissionais médicos insistentes, e cirurgia. Ela disse que eu não tinha que me preocupar com nada disso com ela, então por que contratar uma doula?
Porquê. Doulas não são apenas para a proteção contra intervenções e médicos insistentes. Eles são de apoio. E eu não posso imaginar um momento em que você precisa de mais apoio do que em um parto natural livre de medicamentos e do parto (em casa ou em um hospital).
Então, já que estávamos planejando isso em casa, sem opções para medicamentos para a dor. Eu queria apoio extra. Eu não estava preocupada com a minha parteira e eu não estava procurando por “proteção”. Eu também queria ter certeza de que eu tentei de tudo possível para um parto domiciliar bem sucedido e, para mim, isso significava a contratação de uma doula. Então … O que ela fez?

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Top 5

1. Por essas contrações. Esta foi a maior contribuição para mim. Durante o nosso primeiro trabalho de parto, meu marido gelou e não disse muito mais do que duas palavras. Eu sabia que se eu estava indo para obter através da dor do parto, desta vez sem remédios para dor, eu precisaria de muito mais apoio. Desta vez, o meu marido foi realmente incrível, mas a minha doula realmente teve um toque especial extra. Ela notou os músculos tensos e me ajudou a relaxá-los, ela falou em voz baixa e calma, ela me ajudou a focar no grande trabalho que eu estava fazendo e quanto mais avançava o trabalho de parto, mais perto eu estava da minha bebezinha. Eu sou uma pessoa positiva, teria tido um tempo muito mais difícil sem ela.

2. Para ter outro conjunto de mãos. Eu nunca queria ficar sozinha durante o parto, por isso mãos extras foram ótimas. Minha doula preparou lanches para manter a minha energia para cima (queijo e biscoitos, torradas, caldo de galinha, fruta, etc.), ela foi constantemente reabastecer nossas garrafas de água e suco, colocando panos frios na minha cabeça, etc. Mas ela não estava “apenas” me ajudando, ela estava ajudando todos os outros também. Eu tinha seis pessoas no meu parto, mas a minha doula se manteve ocupada e foi uma ajuda constante!

3. Para dar ao seu parceiro uma pausa. Algumas mulheres dizem que não precisam ou não querem uma doula, porque elas têm o seu marido/ companheiro e/ou a sua mãe ou melhor amiga. Mas o que acontece quando eles precisam comer? Dormir? Faz uma pausa mental de tudo isso? Eu adorava ter Steve ao meu lado, também, mas eu o teria perdido muito antes do nascimento de nossa filha, se não tivéssemos uma doula para ajudá-lo. Ele foi capaz de tirar cochilos, comer comida, e em geral só fazer uma pausa do trabalho de parto.

4. Consultas pré-natais. É claro que você está recebendo cuidados pré-natais de sua parteira (ou do seu médico), mas o pré-natal com uma doula pode ser tão valioso! Às vezes é apenas mais fácil de falar com elas e fazer perguntas. Minha doula me ajudou a trabalhar com os meus medos sobre o nascimento, superando a minha primeira cesariana e definir meu foco em um VBAC de sucesso. Foi extremamente benéfico ter a Doula falando comigo e ajudando a direcionar meu pensamento. Ela me ajudou a perceber que eu não tinha medo de falhar, eu não tinha medo relativo a meu corpo não funcionar. Isso foi muito reconfortante, um alívio. Entrar em trabalho de parto e nascimento, com uma mente clara e atitude positiva é muito importante, eu acho.
Este atendimento foi específico para a minha situação, você pode contratar uma doula, que abordará as questões que você precisa, tais como uma alimentação saudável, fazer exercícios, enfatizando determinadas questões, massagem, etc! Outra observação importante: doulas são mais suscetíveis de estar no seu trabalho, mais do que a sua parteira. Elas vão chegar em primeiro lugar, assim que você a chamar no início do trabalho, querendo apoio e conforto extra!

5. Cuidados pós-natal. Ohhh tantas coisas se encaixam aqui. Tem sido demonstrado que as mulheres com doulas tendem a ter trabalhos mais curtos, menos complicações e intervenções, diminuição do uso de analgésicos, diminuição da taxa de cesarianas… e todas essas coisas tendem a resultar em sentimentos mais positivos em relação a experiência do nascimento, maiores sentimentos de auto-confiança, mais sucesso com a amamentação, e menores taxas de depressão pós-parto. Uau. Doulas: vocês são rocha.
Algumas pessoas dizem que as doulas são muito caras e não é um custo necessário. Em primeiro lugar, os valores variam (quando estávamos procurando, nós vimos de US$ 400 até US$ 1300) e você pode provavelmente encontrar uma doula em treinamento ou uma doula mais recente com valores mais baixos, possivelmente, até mesmo gratuitamente. Em segundo lugar: olhe para todos esses benefícios que listei acima. Para mim, elas parecem quase impagáveis (porque, lembre-se, eu estive em ambos os lados desta situação). Se você precisar de ajuda para encontrar uma doula ou tem alguma pergunta para mim sobre a contratação de uma doula em um parto domiciliar, não hesite em perguntar!!! Comente abaixo ou envie-me um e-mail. ;)

doula remedio

3ª Edição do Fórum Perinatal

Divulgamos a 3ª Edição do Fórum Perinatal que acontecerá em Porto Alegre, no dia 21 de novembro.

Abaixo segue link com informações. Vamos conversar sobre humanização do Nascimento, possibilidades e perspectivas dentro das Instituições Hospitalares e na formação dos profissionais que atendem o parto.

Compareça! Evento aberto.

3º Forum RS

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