Amamentação

Desmame

ImageEnfim, parece que o desmame aconteceu. Já nem lembro exatamente quais foram as últimas mamadas que eu poderia considerar ter tomado realmente uma porção de leite que a sustentasse, como quando comemos uma fruta nos intervalos das refeições.

Gostaria que o desmame acontecesse naturalmente, que ela deixasse de querer, de pedir o mamá, que esquecesse quando estivesse interessada em aprender coisas novas. Por vários momentos pensei que isto nunca fosse acontecer, ela amava mamar, e eu me sentia orgulhosa em dizer que a amamentava ainda, mesmo sentindo a crítica das pessoas, algumas mais sutis, outras nem um pouco, falavam no impulso mesmo, a sua contradição.

Li vários livros, me informei bastante desde a gravidez e acredito que isto seja muito natural, a amamentação prolongada, como é chamada hoje. A nossa cultura que está errada, com mães se afastando cada vez mais cedo de seus filhotes, que vem com a independência da mulher, desde a invenção dos anticoncepcionais, até surgirem mamadeiras, fraldas descartáveis, leites artificiais que dizem estar cada vez mais semelhantes ao leite materno!

Entre muitas outras coisas, acredito que as mulheres estão esquecendo do seu lado mais feminino, parecem estar desconectadas de seus sentimentos mais íntimos. Somos mulheres, nossa natureza é feita para gestar, parir, amamentar e cuidar seus filhos até poderem viver sozinhos. A grande diferença entre nós e o resto dos animais é o cérebro que demora mais tempo para desenvolver e se compararmos a idade de filhotes de animais com humanos veremos como amamentamos pouco nossos filhotes. Principalmente a cultura brasileira, na Coréia, por exemplo, filhotes humanos mamam até uns 7 anos.

Aos poucos fui mostrando a ela, como já estava uma menina grande e não era mais um bebê. Mostrava os bebês mamando em suas mães. Expliquei que bebês pequenos só mamam o leite de suas mães, mas que agora já sabia comer bem como uma menina. Mesmo com todas as explicações ela pedia mamá e dizia ser um bebê, até chorava imitando um bebê. E então comecei a negociar: – Tá bom, só um golinho. Ela tomava o golinho feliz e depois se distraía. Este golinho durou uns 4 meses, por fim era somente pela manhã, ao acordar. Em algum momento, durante uns 3 dias ela não pediu, fiquei pensando, um pouco apreensiva, que ela poderia pedir a qualquer momento. Voltou a pedir novamente, esqueceu algumas vezes, desconversei outras e acho que agora vai. Daqui a pouco esquecemos, as duas.

Verifico no banho, ainda tenho, é um líquido bem grosso, branco e brilhoso (nutrientes!), não é só carinho e apego de mãe.

Hora de me despedir de mais uma fase, que foi uma grande jornada, e em especial agradeço ao meu esposo por ter sido testemunha de todas as fases, inseguranças dificuldades, cansaços, alegrias e satisfação durante a amamentação de nossa filha. Grata também por todas as pessoas que me apoiaram!

Amamentação e hipotonia

Com inspiração ainda no nosso último encontro Parto Alegre, sobre superações na amamentação, estamos pegando emprestado o texto de um blog que transpira amor. Quem escreve no Nossa Vida com Alice é a Carol Rivello, designer e mãe da Alice. 
A fofinha bebê Pig, como apelidou carinhosamente a Carol, tem Síndrome de Down e mostrou um grau de hipotonia logo que nasceu (isso pode acontecer com outros bebês também, não portadores de SD!). Quem não sabe o que isso significa pode ler aqui.
Mas não foi por isso que a Carol deixou de amamentar, conforme vocês poderão ler no texto abaixo, ela passou por muitas dificuldades e com muita persistência e determinação conseguiu amamentar exclusivamente no peito a Alice. 

Leiam e inspirem-se! O texto a Carol fala da importância da ajuda de uma consultora de amamentação. Se você precisa de uma, a nossa querida Luísa Diederichs, da equipe Parto Alegre, é das boas! Para falar com ela você pode pegar os contatos aqui.
Boa leitura!

Cowrolina.

Publicado em 08/10/2012

Conversando com meu obstetra, ele falou uma coisa que eu concordei completamente: a sociedade hoje em dia faz a mulher acreditar que o parto natural é uma coisa dificílima e a amamentação é algo fácil e intuitivo, quando na realidade o contrário se mostra muito mais verdadeiro. A amamentação para mim tem sido uma luta danada. Sinceramente, ela se tornou para mim um drama imensamente maior que a surpresa da Síndrome de Down neste primeiro mês.

A Alice nasceu super dorminhoca, curte uma soneca como ninguém, e fazê-la acordar para mamar se tornou uma saga. Já na maternidade começou a luta: Eu, 6 enfermeiras e uma especialista em lactação não conseguiram fazer a pequeninha mamar. Aliás, recomendo a todas as mães que estão encontrando dificuldade em amamentar chamar uma especialista em amamentação, a nossa nos ajudou muito. Segundo ela, a dificuldade da Alice era relacionada ao fato de ela ter nascido pequeninha, sem ter força para sugar, e não com a Síndrome de Down. “A Alice ainda não percebeu que saiu do útero” dizia ela.

Queria eu ser ignorante. Dessa forma, eu não saberia dos benefícios da amamentação, e desistiria logo, e minha vida teria sido bem mais fácil. Amamentar faz bem a todos os bebês, mas o que me impulsionava ainda mais a não desistir é saber como a estimulação dos músculos do rosto e a criação de defesas que o leite proporciona são benéficas para a Alice, sob a ótica da SD.

Mas 38 dias, 2 mastites e 230 tentativas depois (obrigada calculadora do mac!) consegui finalmente fazer a Alice mamar no peito. Para ser mais específica, ontem foi a primeira vez que a Alice mamou super bem, sem precisar de complemento do meu leite ordenhado na mamadeira. Pensa numa mãe feliz :)

E toda essa luta – e, mais importante, essa vitória – me fez refletir em como ela vai conseguir fazer tudo, basta a gente ter paciência, estimular, acreditar e respeitar o tempo dela. As conquistas serão mais suadas, mas também muito mais apreciadas e comemoradas. :)

Obs.: Por uma ironia do destino, eu sou uma vaca leiteira. Cowrolina. Congelo o excedente e semanalmente faço uma doação para a Carmela Dutra, maternidade aqui de Floripa, eles ficam super felizes.

 

Semana Mundial do Aleitamento Materno 2014

Em comemoração à Semana Mundial do Aleitamento Materno gostaria de divulgar este lindo relato de amamentação de Deise e sua filhinha Antônia. Elas tiveram dificuldades na amamentação e depois retornaram ao aleitamento materno exclusivo com sucesso.

Parabéns Deise e Antônia!
Boa leitura a todos! ADQ-79

Quando nasceu minha filhinha Antônia, acreditava estar preparada para amamenta-la e de fato tivemos sucesso nas primeiras horas. Meu mamilo era muito pequeno, quase plano, mas Antônia e eu nos entendíamos, ela mamava quase sentada e pegava bem. Ao observar meu mamilo uma técnica em enfermagem disse que eu deveria usar um bico de silicone para facilitar as mamadas. Lembrei que ganhei no chá de fraldas (e naquela época não sabia para o que servia tal objeto). Na alta hospitalar uma enfermeira fez as orientações dos cuidados ao bebê e a amamentação e alertou que eu deveria evitar o uso do bico de silicone ao seio, dentre outras coisas ele diminui o volume do leite recebido. Além de ser uma barreira, evitando o contato do mamilo com a boca do bebê. Prontas para ir para casa Antônia precisou coletar sangue para dosar a bilirrubina, ela estava amarelinha, o resultado foi limítrofe. O pediatra nos liberou com o compromisso de comunicarmos seu estado no dia seguinte. Foi ótimo virmos para casa, eu necessitava disso. Mas, no dia seguinte ela parecia uma cenourinha, o amarelão havia aumentado. Dosamos novamente a bilirrubina e o pediatra nos aconselhou a internação. Internamos na UTI-Neo para fototerapia. Senti uma dor em estar naquele ambiente que eu bem conheci como profissional, apesar de racionalizar que estávamos por um motivo relativamente simples, foi muito sofrido. E, havia uma ambivalência em meus sentimentos, ao mesmo tempo em que sofria percebia que havia dores e sofrimentos maiores. Refiro-me as mães e pais dos bebês prematuros que necessitavam de internações longas. No entanto, cada um sente e vive suas dores de acordo com seu momento. Ficava o dia com Antônia, chegava às 7:00 passava no banco de leite para esgotar, pois a mamada era em horários fixos (9, 12, 15, 18, 21, 24, 03 e 06) e voltava para casa às 22:00, graças ao cansaço físico eu adormecia longe da minha filhinha. No primeiro dia de internação Antônia mamou no meu peito e recebeu mamadeira apenas nos horários em que eu não estava. Sim, mamadeira, o pediatra e também o hospital que ela ficou internada não abriam mão desse “instrumento de alimentação”. No segundo dia ela veio para meu colo e quase não mamou, dormiu. A técnica de enfermagem colocou-a na incubadora para que ela não ficasse mais de 30 minutos sem receber a fototerapia, no entanto ela ofereceu a mamadeira com a luz desligada. Isso me magoou profundamente, me senti desrespeitada e impedida de ficar com meu bebê. No terceiro dia tivemos alta hospitalar. Esse breve período foi suficiente para que Antônia tivesse dificuldade em mamar no meu peito, ela sugava pouco e dormia e a noite chorava muito, após uns seis dias me dei conta que o choro poderia ser fome, no pediatra o peso confirmou, Antônia passava fome. Comecei a oferecer uma mamadeira com fórmula, uns 30 ml à noite. O pediatra reforçou esta iniciativa, pedindo que eu oferecesse mais vezes e em volume maior. Muito insegura, querendo amamentar e sensibilizada com a necessidade de que Antônia ganhasse peso chamei a Luísa (Auxílio à amamentação), dentre todas as orientações (muitas das quais eu conhecia), pega, posição, etc. ela me dizia confia, confia que és capaz de nutrir tua filha. Isso não fazia sentido, só fui entender o que essa palavra queria dizer quando estava amamentando plenamente. Tinha produção de leite, porém, produzia o que Antônia demandava e, era pouco. Assim, aluguei uma máquina para esgotar e oferecia meu leite em mamadeira após ela mamar no seio, o oferecimento da mamadeira não era tranquilo, fazia isso com resistência, mas era necessário. Cheguei a oferecer meu leite em copinho, muito leite era perdido. Dez dias após a consulta com o pediatra e só oferecendo leite materno Antônia ganhou 500 gramas, 50 ao dia. Isso me deixou muito feliz e orgulhosa por ter persistido. Ao final do primeiro mês Antônia mamava só no seio e ficava satisfeita, dormia bem e pegou peso rápido. Minha produção aumentou consideravelmente com a ordenha, como ela mamava só um peito, o leite do outro armazenava para doação para uma UTI pública com serviço de busca do leite, durante três meses doei, depois Antônia passou a mamar mais e também, comecei armazenar leite para quando ela fosse para escolinha. Em breve Antônia fará um aninho e continuo amamentando e assim o farei até que uma de nós decida parar, espero que seja ela daqui mais um ano.

 

Relato de Amamentação

Gostaríamos de compartilhar o lindo relato de amamentação de Elisangela, mãe de um menino de 2 anos e 9 meses, que superou dificuldades e realizou seu sonho de amamentar! Com isto gostaríamos de ajudar a tantas mulheres que passam por dificuldades mas que precisam acreditar em si mesmas, na natureza do corpo feminino, nos sentimentos do coração que afloram quando nos tornamos mães.
Boa leitura!
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“Faz tempo que quero registrar minha experiência de amamentação, e nesse tempo de reflexão e reavaliação vale voltar um pouco e reviver essa história que ainda vivemos aqui em casa, uma história escrita e vivida a três: O Filhote, que sempre mamou com gosto e vontade, a Mãezona aqui, que entre tropeços e acertos vem conseguindo, ao Paizão que amamenta lado a lado, desde o início!
Amamentar, ato tão bonito, simples e comum que não tomou maiores preocupações de minha parte durante a gravidez.
Li, me informei, aprendi ainda na gravidez que chupetas e mamadeiras além de desnecessários podem atrapalhar a amamentação e assim julgava que tudo estaria sob controle, concentrando minhas preocupações no parto e no retorno ao trabalho após a licença maternidade. Tinha grande preocupação em como manter a amamentação exclusiva por 6 meses tendo que voltar ao trabalho no quinto mês, mal sabia quanta água rolaria até lá!

Tive meu desejado parto normal, mas não natural como o planejado.
A dor das contrações me surpreendeu e ao final de todo o trabalho de parto natural bati pé pela analgesia, e ela foi um dos fatores (acredito que o principal) que atrapalhou o início da amamentação.

Após o parto pedi para colocarem filhote no meu peito, e assim foi feito, mas eu deitada, e o bichinho cansadinho, talvez sonolento devido a analgesia, não mamou, mas cheirou o peito, lambeu e ficou um instantinho ali, logo indo para o berçário de onde veio algumas horas depois – perdi a noção do tempo, pois dormi.

No quarto comigo, foi direto para o peito, lá ficava pendurado.
Mas eu cansada fui descuidando da pega, muito peito do jeito que ele pegasse.

Já em casa, na primeira noite filhote chorou muito, talvez a pega incorreta não permitindo que ele mamasse o suficiente. Meu seio começou a rachar e doer, eu amamentava mais com o peito esquerdo pois o bico do direito estava muito invertido, dificultando ainda mais a pega. E em meio a isso tudo uma dor de cabeça insuportável.

No dia seguinte fui ao posto de saúde, lá passei muito mal, e fui diagnosticada com uma enxaqueca devido a reação a analgesia, para meu filhote receita de Nan, que marido e eu deixamos claro que não queríamos, mas pediatra passou para “caso de necessidade”. Mas nem mamadeira tinha em casa e não compramos o complemento.

Ao longo do dia meus seios pioraram e a enxaqueca também, foi somente na madrugada, ao passar mal novamente e vomitar de dor com o bebê no peito que aos prontos me entreguei e pedi para marido trazer o complemento – isso que era dor, dor de parto contrações são uma doce lembrança, essa dor de cabeça que me impediu de amamentar naquele instante que dói ainda quando lembro.

Marido trouxe os bendidos(??) complemento e mamadeira.
Mas nem ele nem eu tínhamos coragem de dar mamadeira ao filhote. Minha sogra alimentou o pequeno na sala enquanto marido e eu chorávamos muito no quarto.

Nas semanas seguintes, enquanto eu tratava os seios que estavam muito machucados, dávamos ml de complemento e em seguida era bebê no peito. Andava pela casa sempre sem blusa com filhote colado no colo e peito, complementando sem desgrudar do peito – mãe e sogra segurando a barra da casa e outras barras, momento difícil. Marido praticamente amamentava ao meu lado.

Lá pelo segundo mês o complemento era apenas uma muleta psicológica, pois na verdade era o peito que agora mantinha o filhote. O esperto – mais esperto que a mamãe aqui – sempre preferiu o peito e recusou a chupeta que em momentos de desespero oferecemos (hoje agradeço a sabedoria do filhote!)

Até que um dia um pediatra nos sacudiu: “Tirem o Nan dessa criança! Um bebezão desse tamanho, o Nan nem faz cócegas, é o leito do peito que está mantendo esse bebê!”
Música para meus – nossos – ouvidos! Complemento aposentado!

Do segundo mês em diante vivenciamos a amamentação exclusiva, sempre em livre demanda!

Ao final do quarto mês cheguei a adaptar o pequeno a creche, ordenhava o leite que oferecia em copinho de treinamento. O Filhote até se adaptou, nunca reclamou de nada para mim, mas eu não me adaptei e a volta ao trabalho durou apenas duas semanas.

Foi quando dei o grito de liberdade para peitos livre de ordenha, bicos, vidros, e vivenciamos cada segundo de grude e peito!

Por volta dos 7 meses do filhote, quando ele passou a comer mais comidinhas e deu uma reduzida no peito ainda enfrentei um engurgitamento, bem dolorido, mas contornamos com banhos, compressa e massagens. Passou rápido.

Um mês após o filhote completar dois anos voltei a trabalhar.
Hoje meu pequeno comilão de 2 anos e 9 meses ainda mama no peito, alguns dias bem pouquinho, outros como um bebezão!
Alguns dias canso muito dessa vida leiteira outros dias sinto saudade e gostinho de despedida.

E assim sigo nessa história que ainda não chegou ao fim, agora na torcida por um desfecho mais natural possível!

Nos momentos difíceis do início me imaginava com um bebezão grande no peito como muito vi meu irmão e primos, essa visão do futuro me dava coragem, essa visão se realizou! Hoje eu amamento um bebezão! Um Gurizão!”

 

Relato de Amamentação – Os primeiros 15 dias!

Com a energia da Semana Mundial da Amamentação, incentivei novamente as mulheres que ajudei com a amamentação exclusiva a escreverem seus relatos.

Este é mais um relato de superação do início da amamentação e do desabrochar de uma recém mãe.

Parabéns Renatinha e Iandara!

Boa Leitura a todos!

 

As dores das contrações passam… A dor do parto passa… E a dor da amamentação? Será que vai passar???

Relato de amamentação

Os primeiros 15 dias: “Está ótimo!”

Essa pergunta era a que não saía da minha cabeça: será que essa dor vai passar? E mais.. Pensava: será que vou aguentar? Ou vou ter que dar fórmula por não aguentar mais de dor? Doía muito nas primeiras sugadas, depois não doía, mas era muita dor, eu chorava, gritava, batia com pé no chão. A enfermeira obstetra veio em casa no pós-parto e falei que doía muito no início e o que ela me responde: “só no início da mamada dói? Então está ótimo!” Ela foi embora e eu fiquei ali… Perplexa! Como assim ótimo?? Eu não sei se vou agüentar amamentar um bebê recém-nascido e está ótimo?? P*** m**** o que eu vou fazer agora? Desespero total! Mas tivemos uma ideia: eu tiro o leite e agente dá para ela, daí ela não sugando, não dói. Tentamos com uma colher, só choro e grito de desaprovação, com conta-gotas, com copinho e nada, só choraçada… Tive que continuar dando no peito mesmo. Não imaginava o que seria rachadura nos mamilos, que tanto se ouvia falar, pois agora eu estava sentindo!

Conversava bastante com meu companheiro, que presenciava tudo isso, todo meu sofrer… E era comum agente decidir que só mais hoje vou dar no peito, como a dor é demais vamos iniciar com a fórmula amanhã, e aí esse “amanhã” eu não sentia tanta dor, achava que conseguiria aguentar mais um pouco. E assim foi indo, dia após dia, que nem Alcoólicos Anônimos, decidindo que amanhã íamos iniciar com a fórmula, mas esse amanhã não chegou…

Minha doula (que dá apoio à amamentação) me falava que se eu tivesse algum problema era para logo pedir ajuda, não deixar o tempo passar e, realmente, de um dia para o outro as coisas pioram de uma forma que parece que não vai mais ter volta, por outro lado, às vezes milagrosamente melhoram: a dor não é sentida numa mamada ou outra, é tudo muito dinâmico. Com o “está ótimo” e meu desespero achei melhor buscar sua ajuda. Pensava que teria alguma dica quente, uma receita secreta, qualquer coisa que fizesse com que minhas mamas ficassem mais resistentes, menos sensíveis! Menos dor, por favor! Para minha decepção não existia receita! Ela me contou da sua experiência pessoal, também com problemas na amamentação, o que parecia pior do que eu vivenciava naquele momento e o que ficou disso tudo foi:

“Sim, dói! Temos que aguentar, ter persistência! Somos mulheres guerreiras e vamos conseguir! Queremos dar o melhor para nossos bebês e o melhor é o leite materno! Minha filha precisa disso, eu fui amamentada até por volta de 2 meses e não quero que isso se repita com minha filha, acredito que fez muita falta para mim e acho muito importante que minha filha usufrua o amamentar até os seis meses, no mínimo!”

Então essa visita valeu como uma injeção de ânimo e a consciência de que eu precisava aguentar.

Estávamos morando com minha mãe e como é difícil essa convivência! Tem o lado bom de ajuda nos a fazeres domésticos, mais um colo para revezar (minhas costas também doíam), mas por outro lado os palpites, os comentários, a experiência de quem já teve filho e quer que o neto tenha o mesmo tratamento. Depois de 30 anos as coisas mudaram muito, e eu lia, estudava, profissionais me orientavam, trocava experiências com outras mães, mas minha mãe tinha suas convicções que se conflitavam com as minhas e do meu companheiro. Qualquer chorinho, às vezes só um gritinho ia lá minha mãe pegar ela no colo e me trazer dizendo que ela queria mamar, que estava chorando de fome. Ai que raiva que eu sentia! Sabia da importância da livre demanda, mas com meu companheiro o bebê aguentava um pouco mais no colo e aí era possível espaçar mais as mamadas. Às vezes ele chegava a ficar 1h com a Iandara, se fosse tanta fome ela não aguentaria todo esse tempo, não? E era esse intervalo maior que percebia ser importante também para minhas mamas se recuperarem (o tecido em carne viva). Temos que ir criando estratégias, como essa de ficar com o pai, que distraía o bebê.

Tudo isso nos primeiros 15 dias de vida da Iandara. Primeiros 15 dias de mãe.

Muitas vezes tive que escutar da minha mãe que eu não tinha mais leite, que o bebê sentia fome, porque eu não sentia o leite descer, e até hoje não sinto! Foi muita pressão psicológica para eu iniciar com fórmula. Tudo bem que minha mãe estivesse preocupada com o bebê, mas ela estava ganhando peso bem, então não tinha o que se preocupar. Chorar todo bebê chora e não necessariamente é de fome! Mas minha mãe não conseguia aceitar isso. Imagina só uma recém mãe, com uma mega mudança hormonal, mais sensível, primeira filha, tudo novo, indo morar com a mãe e o companheiro, sentir muita dor no amamentar, mas ter a convicção que era isso que eu queria continuar fazendo e escutar muitas vezes: “tu não tem mais leite! Ela passa fome!”. Isso foi muito forte. Sem contar que com a dor nas mamas eu não conseguia pegar a Iandara no colo, pois encostava nas mamas. Puxa vida! Não pegava meu bebê no colo! Era muito triste!

Este é um relato do início da amamentação, depois vieram coisas bem piores e desafiadoras para mim, que relatarei depois. A mensagem que deixo é persistência e força! A gente consegue: eu consegui!