O papel do Pai na Gestação, Parto e Puerpério

Com o crescente movimento da Humanização do Nascimento, vieram à tona também vários questionamentos e mudanças com relação ao papel e presença do pai na gestação, parto e puerpério. Muitos homens estão embarcando junto com a mãe de seus filhos nesse universo e descobrindo o quanto sua presença é importante e muitas vezes definitiva.
A Parto Alegre realizou no dia 29/06, em Porto Alegre, e no dia 11/07, em São Leopoldo, encontros com essa importante temática.

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Em cada cidade, questões diferentes se apresentaram… mostrando a singularidade de cada pai em construção. Contamos com os relatos dos pais Rossendo Rodrigues e Leonardo Alende, em Poa. E em São Léo, os papais, suas companheiras e filhotes, Marcelo Freitas e Katlen, Vinicius Borba e Fernanda.

Agrademos sempre a presença de cada um e cada uma que tornou o encontro possível!

Gratidão também aos nossos parceiros Corpo Alegre, Pães de Avalon, Zen Vale dos Sinos, Zeca Integral e Vis Vitalis.

Compartilhamos texto sobre paternidade, escrito por Gilson Beck, pai do Kauê. Gilson esteve presente nos encontros de POA e SL e está gestando um Grupo de Pais em POA. Se você tem interesse em saber mais, escreva para ele: gilson.beck@gmail.com

Gilson e seu filho Caue

Gilson e seu filho Kauê

«O Pai deve dar suporte à Mãe durante a gestação e parto»: isso é o que ouvimos toda vez que se fala sobre o papel do Pai na gestação. Mas, quem dá suporte ao Pai em seus medos, angústias e inseguranças?

Esta pergunta eu escuto há mais de três anos, desde o grupo de gestantes que frequentei durante a gravidez do meu filho. Os pais também têm suas transformações físicas e mentais durante este período de gestação. Um pai também é gestado durante esses meses de barriga. Mesmo que muitos só se entendam pais depois de verem seu filhos nascidos, esses homens já estão em processo junto com suas companheiras mesmo que não percebam ou admitam. 

Pensando nos pais, o grupo Parto Alegre propôs um encontro para tratar do «Papel do Pai». Que grande surpresa foi ver a sala cheia! Eram casais grávidos e futuros pais sem as suas companheiras (sim, alguns homens foram sozinhos!). Para mim, isso indica a importância do tema e mostra a busca dos homens gestantes por um grupo que proporcione informação e suporte.

Dois pais no brindaram com a narrativa dos seus partos, cada um à sua maneira, com suas peculiaridades, com seus afetos, com suas limitações, incapacidades, medos e virtudes. Por isso, repletos de invenções e atitudes próprias, firmes, singulares e decididas. E, na roda, contribuições vivas de outros pais que também estão em gestação e que já tiveram filhos.

Na roda, também, vimos e ouvimos homens com diversas emoções: os de 21 semanas; os de 36 semanas e meia; os angustiados com o sofrimento da temida Dor do Parto; os ávidos por informações para tudo saber e acabar com os imprevistos; os inseguros que tremem e mal conseguem falar dos seus medos; os que temiam o parto domiciliar mas que, ao final, disseram como se fossem o filho: «papai, eu quero nascer em casa!».

Uma diversidade de pais em gestação, cada um sentindo no próprio corpo as transformações causadas por aquele ser que está sendo gerado no corpo da companheira.

Hoje, o pai pode exercer qualquer função na gestação, parto, criação e cuidado com os filhos. Não há um modelo de pai que possamos seguir. Também não disse que este pai é um ser todo-poderoso, que tudo pode e tudo consegue. Pelo contrário, é um homem que entende e assume que não pode tudo!

E esta é a grande transformação. Por perceber que não pode tudo, surge-lhe uma nova possibilidade: ele pode escolher e executar diversas funções na Gravidez, no Parto e, já com seu filho no colo, no Pós-Parto. Inclusive, pode escolher assumir e escolher o ele que não é capaz de cumprir, respeitando a si mesmo e ajudando a gestante na busca de pessoas que estejam ao seu redor para ajudá-la durante o trabalho de parto.

Só não dá para amamentar, afinal, Pai não tem leite. Mas já ouvi o relato de um pai que colocava o bebê no seio da mãe enquanto ela dormia, depois fazia o ritual de arrotar e dormir.  Mesmo não tendo leite, este pai pode se envolver diretamente com a amamentação. O homem, a partir da sua falta, da sua incompletude, a partir da inexistência das funções obrigatórias de um pai, pode inventar uma maneira sua – própria e singular – de lidar com o bebê. Tal como ouvi de um pai: «então quer dizer que… eu posso inventar um jeito de ajudar a minha filha a dormir?».

Longe de esgotarmos o assunto, ficou o gosto de Quero Mais!

Ficou, também, a proposta de criação de um grupo de pais em Porto Alegre para tratar da Paternidade Ativa. Um espaço-tempo para cultivar a singularidade de cada Pai, com consequência em cada casal, em cada parto e cada nova vida que nasce. Proporcionar um espaço para que se crie o Homem-Pai de cada um em cada um. Proporcionar um espaço para que se percebam os limites e as potencialidades de cada um, cultivando o afeto. E porque não dizer, cultivar o Masculino?

Foi emocionante estar com essas pessoas em transformação, pessoas que se preparam para receber e cultivar as novas vidas que já estão em gestação dentro de seus corpos, mentes e corações. Homem também chora, sente medo e tem coragem. E ama!

«Boa Hora» a todos os homens e suas mulheres que estiveram neste encontro!
Confira nossa agenda AQUI e até nosso próximo encontro!
Abraço da Equipe Parto Alegre

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