Humanização do nascimento é possível.

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Equipe de doulas do Hospital Sofia Feldman

Parece-me que estamos avançando na direção de uma assistência obstétrica mais humana no Brasil. Mesmo com uma taxa de cesariana nacional de 52%, gosto de pensar que embora tenhamos muitas pessoas e muitos profissionais com pensamentos bastante equivocados sobre o que é assistência humanizada na atenção ao parto, o que é uma doula, qual o papel do médico, da obstetriz e da enfermeira obstétrica, ainda assim, penso que estamos avançando, a passos lentos, pode ser, mas ainda assim avançando.

Quando vejo uma revista como a Veja publicando uma matéria sobre a Maternidade Pública Sofia Feldman, (veja publicação aqui) realmente penso que novos caminhos são possíveis. Essa matéria reconhece a importância dessa maternidade que atende exclusivamente o SUS e que é referência em assistência humanizada. O reconhecimento é tal que mulheres usuárias de planos de saúde estão optando pelo atendimento do SUS dado pelo Hospital Sofia Feldman.

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Hospital Sofia Feldman

Desde 2010 sei das conquistas dessa maternidade, ao assistir, encantada, a uma palestra com membros do Hospital sobre o trabalho realizado lá, na III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento. Perceber que agora, isso é um fato veiculado pela grande mídia e além de tudo, uma mídia bastante conservadora, me deixa bastante feliz e esperançosa.

Esperançosa de que mais maternidades públicas pelo Brasil afora sigam o exemplo, se interessem pelo que está sendo feito em Belo Horizonte – MG.  A existência dessa maternidade para mim é a resposta de que humanizar o nascimento é possível, oferecer condições adequadas, de acordo com as recomendações do Organização Mundial da Saúde é possível. Faz cair por terra qualquer argumento em contrário. Os indicadores dessa maternidade, estão abaixo da média nacional no que se refere à cesárea. A taxa desse procedimento cirúrgico é 24% no ano de 2012 e 2011 (para quem quiser conferir esses indicadores estão disponíveis aqui).

Outra questão que me faz acreditar que uma mudança nos modelos atuais de assistência ao parto e nascimento humanos esteja em vias de acontecer, é o fato de o Governo Federal ter criado a Rede Cegonha, um projeto que “visa garantir atendimento de qualidade a todas as brasileiras pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”. 

Destaco mais três parágrafos que me enchem de alegria: “A Rede Cegonha prevê ainda a qualificação dos profissionais de saúde responsáveis pelo atendimento às mulheres durante a gravidez, parto e puerpério, bem como a criação de estruturas de assistência, como a Casa da Gestante e a Casa do Bebê, e os Centros de Parto Normal, que funcionarão em conjunto com a maternidade para humanizar o nascimento.

As boas práticas de atenção ao parto e nascimento serão exigidas nas maternidades. Uma delas é o direito a acompanhante de livre escolha da mulher durante todo o trabalho de parto, parto e puerpério. O ambiente em que a mulher dará à luz deverá ser adequado para oferecer privacidade e conforto para ela e seu acompanhante. Ela terá acesso a métodos de alívio da dor e a possibilidade de ficar em contato pele a pele com seu bebê imediatamente após o nascimento, prática que hoje é demonstrada como benéfica para os dois.image_large (2)

O pai será incentivado a participar do momento do nascimento do seu filho, estimulando a formação de vínculos. O programa também pretende garantir que sempre haja um leito disponível para a mãe e o recém-nascido nas unidades de saúde, evitando a peregrinação das mulheres e recém-nascidos nos vários serviços.”

 

Sabemos que ainda é necessário caminhar muito, mas o fato desses projetos e maternidades como Sofia Feldman existirem, da doula já ser uma ocupação, me fazem ter ainda mais a certeza de que dias melhores virão. Apesar de ainda haver muito casos de violência obstétrica, de violência institucional, cada vez mais o parto humanizado é uma realidade.

Fonte: http://www.brasil.gov.br/sobre/saude/maternidade/gestacao/rede-cegonha

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