Pai ativo, amamentação bem sucedida. – Estudo

pais-bebe-grandePara entrar no clima do nosso primeiro Encontro de Mães e Pais de 2013 (ver mais informações aqui), escrevo sobre uma pesquisa que encontrei no blog “Cientista que virou mãe” sobre o papel do pai na amamentação.

É um artigo de revisão integrativa que pesquisou em base de dados como SciELo, LI-LACS, entre outros, os temas sobre participação paterna ou do companheiro na amamentação. Este artigo encontra-se aqui. Foram identificadas 44 publicações que mostraram que “o apoio social, profissional e familiar foi imprescindível para o sucesso do aleitamento materno. O pai foi destacado como suporte fundamental pela forte influência na decisão da mulher em amamentar e na sua continuidade” (p.123).

É muito interessante a abordagem deste artigo, pois mostra que ainda hoje, o sucesso ou não do aleitamento materno é visto pela sociedade como responsabilidade exclusiva da mulher. Isso observa-se inclusive nas campanhas nacionais que tem em seu slogan: “amamentar é um ato de amor”. Logicamente, a mãe que não amamenta não ama. (Como assim??) Com essa máxima estampada socialmente, a mulher pode sentir-se frustrada em seu papel de mãe, quando encontra dificuldade para amamentar seu filho. O que precisamos entender, e o que essa pesquisa aponta, é que a amamentação é uma prática sociocultural, que depende de outros fatores além do biológico para ser bem sucedida.

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A mulher desempenha, em geral, outros papéis e funções sociais além do cuidado com seus filhos. Para que o ato de amamentar faça parte de sua nova rotina, ela precisa de apoio; que se caracteriza pelo incentivo da amamentação por parte dos familiares e que os familiares assumam determinados afazeres que antes eram desempenhados por essa mulher. Assim, torna-se mais fácil, a mulher dar conta dessa nova relação que precisa, sim, ser criada e acalentada com o bebê, porque ao contrário do senso comum, não nasce pronta nem é inata. Amor de mãe também é construído e qualquer relação para dar certo, precisa de dedicação. Se a mãe não consegue dedicar-se a amamentar o seu filho porque tem de dar conta de outros afazeres e não conta com a ajuda de outras pessoas, essa relação fica prejudicada e o sucesso desse aleitamento materno torna-se mais difícil.

Por isso, a participação ativa do pai e de outras pessoas da família, vem mostrando sua importância. Visto que tem se avaliado que os casos de sucesso do aleitamento materno estão intrinsecamente relacionados com o apoio de familiares e especialmente do pai ou companheiro da mãe que amamenta. Ainda assim, esse suporte familiar e social precisa melhorar, com o desenvolvimento de ações educativas, que possam também dar suporte a esse pai, o qual, segundo a pesquisa, ainda exibe sentimentos ambivalentes como: competitividade com a mãe vs. proteção; exclusão vs. aumento do vínculo familiar; apoio vs. preconceitos.”

 De qualquer modo, considero um avanço começarmos a nos dar conta de que o sucesso do aleitamento materno não depende só da mãe, e sim de todos nós: familiares e profissionais da saúde. Tenho visto muitos pais ativos nesse sentido e isso me faz pensar que

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estamos caminhando para um novo tempo de mais respeito, amor e solidariedade entre as relações. No sábado em que falaremos sobre o papel do pai nesse início da vida de um bebê, haverá relatos de pais e mães que tem seus companheiros por perto nessa importante fase de suas vidas. Os pais vão contar um pouco da sua experiência tanto no parto como no puerpério. Não deixe de vir, será muito rico para mães e pais e futuras mães e pais.

Beijos e até a próxima!

Amanda Martins

Pedagoga e Doula

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2 comentários

  1. Oi Lu,
    que legal que gostou do texto. Sim, faz muita diferença contar com um suporte, seja ele familiar ou não para poder dedicar-se ao bebê. Teus relatos serão bem-vindos no nosso encontro de Mães e Pais. =) Beijo grande!

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  2. Amanda querida, muito apropriadas tuas observações. Como Laura Gutman sempre pontua, o pai – e todo o restante das pessoas amigas e familiares – deve dar suporte à mãe para que esta consiga desempenhar um papel que é só dela junto ao bebê. Tenho vivido isso na pele e na alma e sei bem como é. Felizmente, com boa informação já durante a gestação, me organizei para contar com a ajuda de que necessito. Faz MUITA diferença. Superbeijo pra ti.

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