Alimentação na gravidez: Como isso realmente afeta o seu bebê na barriga.

Escrito por Chantal Wilford – doula, educadora perinatal e assistente de parto no Birthways Center – Florida.

Matéria em inglês

Tradução livre: Shana Gomes

Você é o que você come, e também o seu bebê! Ao longo dos anos, eu tenho aprendido que algumas mulheres têm dificuldades em adotar uma boa alimentação durante a gravidez. Elas sabem que devem comer bem, que uma dieta balançada não significa variar os sabores dos salgadinhos e refrigerantes que elas tomam, mas é difícil se conter. É difícil mudar hábitos alimentares ou não mergulhar nos desejos sem se sentir culpada por esses pequenos exageros. As vezes é simplesmente mais fácil não pensar na alimentação e ponto.

Infelizmente, as consequências são reais para as mães que não tomam cuidado com o que comem, para seus corpos e para seus bebês. Obstetrizes e médicos vêem situações como essas regularmente. Eu não espero que minhas alunas sejam perfeitas em suas dietas, somente que sejam conscientes a respeito das escolhas que elas fazem para sua alimentação e para sua família. No mínimo, tentar alcançar equilíbrio e moderação. Eu espero que as informações a seguir ajudem você a fazer o mesmo.

Uma alimentação pobre na gestação irá afetar a placenta, este fascinante e complexo orgão que sustenta a vida do seu bebê no ventre. A placenta é facilmente danificável e mostra calcificações se não estiver funcionando com todo seu potencial, isso significa que seu bebê talvez não esteja recebendo suprimentos ideias de oxigênio e nutrientes no útero. Uma placenta muito frágil, talvez não saia inteira quando for expelida e mesmo que um pedacinho fique retido, pode ocorrer uma hemorragia pós-parto. Esta perda de sangue pode causar fadiga, dores de cabeça, palpitação e confusão, entre outras coisas mais sérias. Para nascimentos fora do hospital, este evento pode resultar numa internação e a necessidade de uma transfusão sanguínea. Não importa o local do nascimento, isto afeta a recuperação da mãe, o primeiro contato com o bebê e a amamentação. Boa nutrição ajuda a fazer crescer dentro de si uma placenta forte e saudável.

Uma nutrição inadequada pode fazer com que o períneo da mãe não seja flexível o suficiente para o trabalho de parto, um bebê de médio ou pequeno tamanho pode causar dores significantes. Essas dores precisam ser tratadas no trabalho de parto, com anestésico local e um certo grau de desconforto durante a recuperação e o processo de tratamento. Lesões de terceiro ou quarto grau requerem cirurgia de reparação, o que certamente afeta o processo de aproximação da nova família.

Alimentação pobre também pode causar a ruptura precoce das membranas, antes de o bebê estar pronto para nascer. Membranas rompidas colocam você em um tempo limite para início do trabalho de parto, e se você não estiver em trabalho de parto ativo em entre 12 ou 24 horas (dependendo do protocolo do profissional que estiver assistindo seu parto), você vai precisar ir para o hospital para uma indução, o que significa que você precisará ficar numa cama, monitorada, para ver como o bebê está reagindo às drogas de indução. Como nós sabemos, uma intervenção sempre leva a outra…A vitamina C foi clinicamente comprovada como um agente que previne o rompimento prematuro de membranas.

Se o trabalho de parto começa meses ou semanas antes da data prevista, o seu bebê perde vários benefícios de estar no ventre. O final da gravidez é o momento chave para o desenvolvimento do cérebro, ganho saudável de peso e o refinamento do funcionamento dos orgãos. Novamente, uma boa nutrição pode prevenir um trabalho de parto antecipado.

Complicações potenciais de uma nutrição pobre também incluem diabetes gestacional, rompimento da placenta, alta pressão arterial ou pré-eclampsia (que é uma condição de risco e pode resultar em pressão alta, convulsões e até a morte). A única cura é provocar o parto por indução ou cesariana. Entretanto, tudo isso pode ser prevenido com uma boa nutrição.

Bebês podem parecer “bem” e mesmo adoravéis no nascimento, mas se eles foram privados de toda a gama de nutrientes vitais que eles precisam dentro do útero, eles têm uma grande chance de terem atrasos no desenvolvimento físico e/ou problemas neurológicos. Eles podem ser muito pequenos para sua idade gestacional ou serem bebês de baixo peso, fatores que também podem afetar o processo de amamentação. O começo da vida nutricional de seu filho define o seu trato digestivo e a sua flora intestinal, que são uma chave para o sistema imunológico. Isto irá impactar a saúde do bebê e o seu bem estar para o resto da vida.

Nutrição pobre aumenta as chances de desconfortos na gestação, como enjôos matutinos, constipação, cansaço, câimbras e azia. Além disso, pode resultar numa saúde fraca para enfrentar o processo de nascimento, trazendo a necessidade de um longo período de recuperação e também um risco de contrair uma infecção.

Escolhas por comidas com poucas vitaminas durante a gestação e lactação, podem levar a criança a desenvolver um gosto por comidas que ficam abaixo do ideal. O que nós comemos dá sabor ao líquido aminiótico e ao leite do peito, e os bebês desenvolvem preferências pelos sabores que eles conhecem através destas fontes. Vejam o quanto isto é incrível! Se você quer que seu filho cresça aproveitando uma grande variedade de comidas saudáveis, comece agora! As suas escolhas por comida na gestação e amamentação podem afetar as escolhas do seu filho pelo resto da vida.

Alguns estudos indicam que uma alimentação debilitada na gestação, pode levar a criança a ter problemas com obesidade mais tarde. As suas escolhas por comida podem afetar como o corpo do seu filho irá identificar calorias e nutrientes no futuro. O que você come agora será importante por muito tempo.

Se você está grávida de uma menina, ela nascerá com todos os óvulos que ela sempre terá. Isto significa que os seus camihos nutricionais podem afetar não só os seus filhos, mas os seus netos também.

Lembre-se que as suas necessidades nutricionais mudam quando você está grávida, e o que você precisava antes, não é suficiente agora. Você quer que sua criança prospere! Você, somente você tem controle sobre o que você escolhe para nutrir a si mesma e o seu filho e isso afetará diretamenteo sucesso do seu trabalho de parto, parto e período de recuperação.

Ninguém pode dizer a você o que fazer, mas o seu médico, parteira, doula ou educadora perinatal, pode ajudar você fazer escolhas melhores. Consulte-os ou vá até um nutricionsta se você precisa de ajuda com a sua dieta. Nunca é tarde para fazer escolhas melhores!

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3 comentários

  1. Luciana Santos disse:

    Boa tarde
    Minha filha que hoje tem dois anos, quando nasceu ela teve uma hemorragia pela boca e constataram que ela nasceu com quantidade de vitamina k muito baixa e que mesmo recebendo uma dose ao nascer não foi suficiente. Gostaria de saber o que ocasionou ela nascer com essa deficiência de vitamina k, seria minha alimentação incorreta. O que poderia fazer para que em um próximo filho não ocorresse isso novamente. Obrigada

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    1. partoalegre disse:

      Olá Luciana!
      Obrigada pela tua participação aqui no blog. A equipe Parto Alegre é composta por doulas, não temos a expertise necessária para responder a essa questão. Podemos sugerir boas nutricionistas para te ajudarem a ir a fundo nisso. Um abraço, tudo de bom pra sua família.
      OBS: Se quiseres indicações de nutris escreva para partoalegre@gmail.com que enviamos os contatos

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  2. shanadoula disse:

    Achei muito interessante e também me identifiquei com este texto, pois no alto dos meus 5 meses de gravidez, já concluí que as exigências alimentares são outras e que muitas vezes devemos ouvir nossos “desejos”. Ter desejos não significa só querer comer doces ou pizza, mas também outras coisas importantes que nosso corpo nos pede através deste código. Eu, por exemplo, tive muita vontade de comer couve e espinafre no início da gestação, um sinal bastante inteligente do meu corpo de que eu precisava de ferro. Muita vontade de comer doce? Abra os olhos, você pode estar com carência de proteínas! Na gestação nossa sensibilidade aumenta muito, por isso devemos estar alertas para os sinais que o corpo envia e levá-los a sério. O chocolate pode ser substituido por uma fruta? Ótimo! O açúcar refinado por ser trocado por mascavo? É o ideal (no caso do consumo ser inevitável). Não sou a favor de grandes mudanças na alimentação durante a gestação, como por exemplo, tornar-se vegetariana quando descobrir que está grávida ou passar a comer carne só porque a sua família faz pressão para que você tenha a ingestão óbvia de proteínas, que pode ser acessada por outras fontes. Somente melhore seus hábitos, corte o que é desnecessário, equilibre! Faça das suas “escapadas” momentos de puro prazer, sem culpas, pois saberá que na maioria do tempo estará comendo somente o que é bom para você e seu filho.

    Shana Gomes
    Doula e Instrutora de yoga para gestantes
    Parto Alegre

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